Pesquisa de campo

Pablo continua suas andanças pelas favelas e comunidades consideradas "perigosas" pela sociedade, como um anjo que esconde suas asas pra provar que existe bondade no submundo. Passando pra comprar sua erva calmante alucinógena, dos Cano, pras Barreira... hehe a excentricidade humilde de Pablo fazia ele admirar até esse neologismo da falta de plural no nome das favelas. Com Cavendish, a trans ruiva que comanda a
"as área" "das Barreira", arrupiando nas balinha de 5, e rodando todo tipo de pião. Pablo se divertia, ria muito com Cavendish e fumava sua erva no estúdio dela, com diversas pessoas, com tornozeleiras ou não. Ouvia e ria "dos funk" e de como Cavendish fazia dinheiro com todo tipo de vagabundo ladrão. Pablo pediu pra comprar a erva da ruiva pela metade do preço: saiu de lá depois de fumar um que botaram, e ainda ganhou uma torta deliciosa de chocolate e uma lata de guaraná. "Toma, os ladrão já vieram com duas pra eu comprar, leva uma pra vc!". Pablo percebeu que na favela, a bondade chega de onde vc menos espera.

Favela Protection

Pablo foi abordado, quando batia fotos de celular na praia do Mucuripe, por três negões que perguntaram: "Tu é da onde?". Logo Pablo percebeu se tratar de uma "pesquisa de assalto", e respondeu, com sua sinceridade tranquila: "Moro nos Canos", dizendo o nome da favela ali do lado que só quem habitava mesmo ali saberia o nome. "Aaaaa, vc é dos Canos... Tem um baseado aí? ". "NÃO,  mas se quiser buscar lá nas minhas áreas é sal!", respondeu Pablo, se sentindo protegido por morar na favela.

reacordei

Acordei como se fosse atrasado. Nesse mundinho de dramas fortes e histórias viscerais, Pablo havia encontrado uma felicidade discreta. Pessoas com seus erros assumidos, e não gente querendo ser perfeita: são bem mais fáceis de conviver.  O JORNAL vai naqurla velha demora da lavagem,  mas espero pelo preço da maldade que fazem enrolando esse tempo. Quero apenas me desvencilhar disso e viver minha vida. Passei o dia conversando, dando apoio, fazendo um rango, trocando um beck, destilando (ou tentando) essa distribuição de gentilezas. No final amigos garantiram a cerva e o samba. A alegria está dentro de todos nós.  Quanto antes melhor. Chego em casa e Gal Costa cantando seu último disco. Fazer um rango, fumar o último (do dia) e relaxar vendo Tv. Amanhã tem aniversário de um vereador aqui "nas área"

Fim

Pablo não tinha mais Papoula a seu lado. Só seu pai Jesus, que lhe buscou. Pablo tentou sobreviver, mas não aguentava mais ser quem não era., apenas pra sobreviver. Um dia ele acordou, e o mundo estava destruído. O problema é que ninguém notou ou ligou pra isso. Pablo não conseguia ficar sem amor, nem entrar nessa normalidade da crueldade, das guerras, da maldade, do egoísmo... Um dia Pablo não parou de chorar, pois procurava e não encontrava o amor, e morreu.

Raciocínio

No mundo em retrocesso, Pablo passou alguns dias que misturavam euforia e descanso, numa espécie de novo veneno que deveria fazer ele sair da realidade... mas o que acabava colocando dentro dela mais fortemente, como já havia acontecido algumas vezes. Ao receber material de trabalho, viu que sua profissão o deixava aéreo, mas num plano terrestre de reflexão e raciocínio importantes para ele e para as pessoas em sua volta. Mas ele já não aguentava fazer o que já o consumia com muito trabalho há 18 anos, sem ser valorizado, sempre menosprezado. Mas Pablo viu que isso era importante para a saúde mental dele, e tentou voltar a trabalhar.

Day by day

Ontem Pablo teve uma pontinha de esperança de tentar colocar a vida no lugar. Descansou, mas acabou se perdendo dentro do seus problemas de novo. Ele precisava de alguém do lado... ele gostava da vida a dois. Dormiu de novo e recebeu sua amiga, que morava com ele, Sophia, a gaúcha, que trouxe camarões e vinho do interior, lá da cidade de Icapuí. Pablo ficou extremamente feliz, ele gosta de Icapuí, acha lá um paraíso.No domingo foi a praia com Sophia, o que fez Pablo viver fora de seu casulo de reclusão novamente.

RENASCER?

Pablo dormiu, sem saber se iria acordar no dia seguinte. Sua dor e o desamor que sentia do mundo era tão infernal, que não saberia se um dia seguinte aconteceria, ou se Jesus daria uma graça de buscá-lo daquele planeta injusto e ingrato. Mas ele acordou. E parece que não mudou muita coisa. Ao perceber sua doença, sua aversão pelo mundo, ele ficou recluso, sem querer levantar da cama... mas levantou. Não trabalhou, mas viu TV, descansou de tantos tiros que levou, tantas facadas pelas costas, e foi tentar ver se algo novo acontecia. Nada. Tudo continuava a mesma coisa. Até que ele se viu disposto a mudar. E tentar encontrar esse universo novo. Falou mais calmamente com uma pessoa que morava, Pérola. Não tinha mais paciência para o cotidiano. Comeu, ficou sabendo das novas tragédias, dormiu de novo. Viu que a indiferença faz parte do sucesso alheio, e ficou em paz consigo mesmo. Em paz na sua reclusão de não misturar energias que atrapalhassem seu novo renascimento. Tinha uma fé tão forte em Jesus, que tudo iria melhorar. E começou a pintar sua TV. Redescobriu as tintas da vida. Agora cozinha. E se prepara para dormir com mais esperança.