
Sexta, 28 de maio de 2010 – Princípio e lembranças
Pablo acordou sexta às 4h da madrugada debilitado. A prima, Papoula liga para ele, chorando, dizendo não aguentar mais essa vida. Papoula estava desesperada, pois, seu grande amor não era grande, e muito menos amor, era a ânsia pelo preenchimento do vazio. O amor de Papoula era pelo belo, pela sofisticação, pela sinceridade, mas, principalmente, pela sensibilidade.
Sua mãe também havia lhe cobrado um dinheiro que ela tirou da carteira dela, clássico de pais e filhos, principalmente filhos desempregados. Ela tinha acabado de pedir uma ajuda grande em dinheiro para pagar algumas contas, mas mesmo assim quer continuar a rotina de absintos, afrodisíacos, lugares que tentassem fazer observar e absorver a essência da vida.
Pablo acordou de bom humor, pois conseguiu dormir umas 16h e despertou às 4 da manhã, mesmo com alguns dispersos sonhos dissonantes. Viagens que o espírito dele faz em batalhas oníricas contra o maldade, a inveja e o demônio. Fazia dois ou três dias que ele não dormia. E quando levantava desses sonhos ou pesadelos, acordava cansado.
A masturbação de contatos, sejam visuais ou orais, com qualquer pessoa, gerava uma energia diferente em Pablo. Ele era sensitivo, sensível demais, assim como Papoula. Só que carregava o gênero da objetividade, e um dos poucos preceitos cristãos que ele conseguia seguir era “viva o dia a cada dia”. Sempre acordava e pensava:
– Como ganhar ou gastar o dinheiro, disponível ou indisponível? O que fazer de prazeroso, ir a praia, cinema, teatro, show, boate? Onde está a pessoa que estou ficando? O que irei fazer hoje para conseguir um novo emprego e um novo amor?
Pablo conseguia fazer dez coisas ao mesmo tempo pensando em outros vinte assuntos pendentes. Via TV, lia jornal, fumava um baseado, cozinhava, falava no celular, trabalhava em seus textos para o jornal e blog. Era comunicador e midiático por pura vocação, tanto que “fundou” seu jornalzinho de prédio, quando tinha 12 anos, vendendo de porta em porta dos 88 apartamentos e garantindo dinheiro para cinema, teatro, festas com os amigos. O jornal se estendeu para o condomínio todo, e acabou despertando a ira de síndicos que viam denúncias de desvio de verbas e outras indiscrições que Pablo denunciava já com 12 anos. Foi assim que a mãe de Pablo foi ameaçada de ser processada, o “Jornal do Mantegna” (nome do prédio) teve que circular com uma última edição retratando coisas injustamente. Logo depois Pablo inventou uma locadora pirata, uma rádio pirata, TV a cabo pirata. Virou animador de festas infantis, onde ganhava muito dinheiro brincando com crianças. Nessa época, aos 15 anos, Pablo já morava sozinho, pois sua mãe havia ido para Noruega, lugar onde todos apontavam como o país mais feliz do mundo. Assim como Pablo, sua mãe buscava a felicidade.
Quando toma anti-ansiolíticos, Pablo consegue se focar mais, pensar e fazer uma coisa de cada vez, e decidiu se dedicar a escrever seu primeiro livro, assim como ou com Papoula. Papoula era referencia atual de Pablo, era a amiga perfeita, prima, a única pessoa que confiava, que nunca a decepcionou, que sempre a surpreendeu com gestos gratuitos e desinteressados de bondade e compreensão. Pablo estava preocupado com Papoula, pois ela havia largado o telefone e o deixou falando sozinho, provavelmente com os efeitos dos remédios que ela havia tomado. Papoula dizia que queria se matar, mas assim como ela não ligava para o instinto assassino e destrutivo de Pablo, ele decidiu não dar muita importância às ameaças auto-destrutivas de sua prima.
Às 4h30, depois de falar com Papoula, Pablo acaricia seu gato Miro vendo um seriado “Saving Grace”, com Holly Hunter fazendo uma policial que adorava transar resolvendo os assuntos de crimes e intrigas. Muda para Record News e vê um documentário sobre 1982, seus fatos marcantes. Pablo tinha 5 anos nessa época. Morte de Elis Regina, sucesso de Michael Jackson com “Thrilher”, Renato Russo e sua poesia com o Legião Urbana. Os ídolos de Pablo já estavam mortos, e para quem já enfrentou a morte como Pablo, o fim ou o começo de uma nova vida, dependendo do julgamento de Jesus, era iminente. Poderia ser hoje, daqui a dez anos, daqui a 40 anos, mas iria acontecer.
Depois começa um programa jornalístico com diversos temas, apresentado por Eliakim Araújo, jornalista que Pablo admirava. A primeira reportagem era sobre o “melhor país do mundo para ser feliz”, a Noruega. Depois o mercado pornô. Em 2010 a programação adulta (sexo/pornô) é a que dá mais lucro nas empresas de TV a cabo dos EUA. Pornô era uma coisa cool , principalmente para garotos de 15, 16 anos – é a rebeldia da época, um dos últimos tabus da sociedade. As pessoas transam cada vez mais cedo, com 10, 12, 13 anos – ou menos – mas a sociedade não admitia isso.
Pablo transou com um homem e uma mulher ao mesmo tempo, na véspera de seu aniversário de 14 anos, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Foi abordado na praia
de Ipanema por um casal que dizia ser de Petrópolis que queria saber onde era a Barra da Tijuca. Pablo foi simplesmente seqüestrado, acuado, e acabou transando com a mulher e constrangido pelo homem. Mas desde criança Pablo sentia atrações por homens, pelos seus amigos, mas só conseguiu realizar seus desejos aos 18 anos, depois dessa experiência pedófila e traumática.Depois de passar por noticiários de TV americanos, mexicanos, espanhóis e portugueses da TV, Pablo decidi ir no supermercado 24 horas que existe próximo a sua casa, comprar um pão e outros mantimentos. Já eram 6 horas da manhã e ele gostaria hoje de ir trabalhar, depois ir a praia, nas livrarias e sebos do Centro, ir para o cinema e ao Teatro José de Alencar, ver “Cândida”, um comédia com a atriz Bia Seidl e grande elenco, com sua prima Papoula.
Sábado, 29 de maio de 2010 – Deletar os arquivos
Pablo havia combinado com Papoula para ir na peça de teatro na sexta. Foi a praia, e todos os momentos que esteve só, cuidando apenas da sua vida, a solidão prejudicava sua cabeça. Papoula liga umas 16h para Pablo, quando ele iria consertar seu celular, e diz que estava bem depois do desespero anterior. Ele fala da peça do teatro, da preocupação com Papoula e de seus novos escritos – do seu diário.
Após ver o texto online, Papoula não gosta da idéia, odeia a exposição internética da sua vida tão conturbada e sem limites com festas e farras homéricas. Ela prefere poetizar e fantasiar sua realidade, e Pablo gosta de encará-la de frente, sem rodeios, tentando enfrentar sua dura vida com coragem e perseverança. Ele também amava as noitadas em bares, boates, cafés, botecos – mas sua vida era incompleta sem cinema, teatro, trabalho e um momento para ficar só, refletir sobre tudo e sobre todos e, às vezes, tentar salvar seu lado espiritual, tão abandonado.
Pablo diz pra Papoula ficar tranqüila, pois ele não publicaria mais o blog de seu diário na internet. Marcam de se ver mais tarde, com Papoula um pouco áspera. Pablo decide resolver logo a questão de seu celular, ir em casa tomar banho, e passar no jornal em que trabalha apagar o “Diario de Pablo” na internet. Lá percebe a repulsa e a maldade de sua Tia Carmelita, uma mulher hipócrita que só falava em Jesus, mas não fazia quase nada cristão, a não ser por puro interesse financeiro ou pessoal. Carmelita passou por Felipe e o encarou com desprezo, até uma “cara de bicho”, como se quisesse ver ele longe daquela dimensão.
Antes de ser a dona do jornal onde Pablo já trabalhava, eles eram super amigos, companheiros, iam no cinema, tomavam vinhos – era a melhor relação tia/sobrinha que qualquer ser humano poderia imaginar. Trabalhava, ganhava mal, tinha dois filhos, era casada, era mais feliz e tinha iniciado um glorioso”trabalho com Jesus”. Em 2010 as pessoas começam a ter esse “trabalho com Jesus” induzida pela melhoria financeira em propagandas de TV, jornais, rádio. E acreditando que, com Jesus todos podem tudo, ela herdou de seu pai, seja de qual forma for, uma gráfica e um jornal.
Em 2010 aparecem denúncias com vídeos de políticos do Governo do Distrito Federal, roubando dinheiro das merendas escolares e escondendo em meias e cuecas, e logo após, fazendo uma oração para Jesus. Para Pablo, no século 21, nas igrejas, seja o clero católico, que estava em decadência, ou as igrejas evangélicas, com tanto poder, representavam com seus castelos suntuosos a união de riqueza que a ignorância, carência, maldade, egoísmo e vaidade poderiam arrecadar.
Mas o dinheiro, interesses escusos, ou talvez a verdadeira face de Carmelita tenha aflorado devido à mudança de sua posição social. Pablo não conhecia entender como as pessoas mudavam tanto por causa desse “pulo” social e financeiro, desse aumento de poder. Pablo achava que diante de tal sorte, ou benevolência o efeito deveria ser outro. Mas já naquela fase, Pablo entendia com seus 33 anos que poucas são as pessoas verdadeiras nesse planeta. Pablo acreditava que não são apenas a quatidade de amigos, status, vaidade, ações, para justificar a passagem pela vida. Era como se a fama, todos conhecerem você, não importa quem fosse, e você ser admirado e falar com todos, fosse a coisa mais importante da existência humana. Porque isso facilitaria sua vida, seja sexual ou financeira. As pessoas no século 21 não conseguiam ficar sozinhas em nenhum minuto, é uma ânsia por encontros, sejam reais ou virtuais. Você podia estar só, mas não poderia deixar de ficar online, seu celular teria que ficar ligado, caso contrario você estaria dando um delay de sua morte. Ao mesmo tempo que isso tinha clareza, e Pablo nunca teve apoio de sobrevivência e se viu obrigado a viver daquele modo, já estava cansado daquele estilo vicioso da vida. Queria que algo de bom acontecesse sem muito esforço pela primeira vez, fosse dar um novo rumo a sua trajetória de vida, seja ela profissional, amorosa, social, familiar – que algo realmente excelente acontecesse sem muito esforço. Pablo já havia cansado de ser batalhador, conquistar um espaço importante, ser editor de cultura de um jornal, sem qualquer ajuda ou apoio, - para Pablo era pouco, s
ua vida era um desperdício de talento. Ele queria uma oportunidade, um “empurrão” para ir mais além e consertar coisas injustas que tantas pessoas do mal impuseram a sua vida. Algo de bom que acontecesse do nada, que Pablo achava que merecia justamente por resistir a tantas batalhas, a morar sozinho desde os 15 anos, a sustentar só desde 16, a ser abandonado pela mãe e pela família sem motivo algum, e a conquistar seu espaço sem maldade, sem crime, apenas com um mínimo de revolta que qualquer adolescente tem.Após sair do jornal, encontrar com sua Tia Carmelita, e deletar os arquivos escritos do Diario, Pablo recebe o telefonema de Papoula e decidem ir para o teatro. Mas como havia convites de duas peças, Pablo insiste em ir vender os ingressos de uma das peças. Chegando à praça do centenário Teatro, com lixo, drogados, viciados em crack e completamente vazia, eles encontram dificuldade em vender os ingressos e não tem a menor coragem de sair do carro diante de um cenário tão degradante. Papoula, impaciente, e dopada por anti-ansiolíticos, um pouco melhor de “astral”, insiste em dar um “up”, uma animada na noite de sexta, e convence a não ir mais na outra peça de teatro e logo tomar os absintos estimulantes.
Ontem ela havia saído com seus antigos amigos – Papoula não conseguia ficar sequer uma noite sem farrear, em busca de um amor, de algo que a complete. Como ela odiava a maioria dos tipos de tecnologia de contatos virtuais, passivos ou ativos, a solidão, não estar com alguém, era a morte para a Papoula, era como se ela não existisse.
Obecada pelos absintos, e seduzido pela idéia de entrar nessa vibe alucinatória, que buscava a felicidade plena em apenas um minuto, Pablo entra no clima, mesmo sabendo que essa influência e as consequências do ato já estavam afastavam ele de tantas pessoas que o seduzissem a fazer aquilo. Ela faz questão de pagar o absinto para Pablo, que, constrangido por tantas vezes ser “bancado” por Papoula, oferece outras bebidas em contrapartida – comprometendo seu dinheiro, uma viagem que faria no dia segunte, e seu encontro com um amor do momento, Max, a quem encontraria no domingo. O “up” do absinto, apesar de caro, é sempre bom. Mas como tudo que sobe tem que descer, as conseqüências do “down”, quando o efeito sanava, eram devastadores para Pablo. Às vezes uma depressão profunda... uma sensação de que tudo que ele planejara para todo fim de semana- teatro, praia, cinema, viagem , beijos na boca e outras atitudes saudáveis – foram por água abaixo por causa de uma felicidade plena de uma loucura estantânea, efêmera, sem sentido nem finalidade, apenas buscando um nirvana desconhecido e intolerável, uma energia que seria gasta e depois cobrado pelo seu corpo, sua saúde.
Depois de alguns bares, Papoula e Pablo foram pra casa, estarrecidos pelo absinto. Quando acabou o absinto, Pablo não terminou sua loucura e combateu a depressão com uma catarse – colocou shows de artitas como Madonna, Angela RoRo, The Police, um programa de humor com, Bruno Mazzei chamado “Cilada”, o filme “Assassinos por Natureza” do Oliver Stone, show de Amy Winehouse. Depois inventou de pintar um jarro de bronze com as tintas que restavam das últimas telas que havia pintado
Renan cumprimenta Pablo e Papoula com um pedido de beck. Mesmo com um histórico de maldades, falsidade, ingratidões e loucuras, Pablo trata Renan com extrema cordialidade e educação, sempre oferecendo atenção, bebidas, fumo, gestos até carinhosos, apenas para evitar brigas e manter o bom clima da casa, com pintura, música, energia necessária para a viagem a Pacatuba de amanhã. Pablo iria conhecer um castelo de aventuras em Pacatuba, já havia sido convidado diversas vezes por esse amigo jornalista e não gostaria de perder essa viagem, marcada para às 8h. No meio da madruga, Pablo inventa de pintar um vaso de bronze, e Papoula entra no clima. Mas as energias já estava sorvendo para um próximo dia. Papoula iria encontrar sábado com uma nova pretendente, Natália, estava querendo dormir para estar bem e encontrá-la plena e bonita .
Pablo não consegue se desvencilhar de sua loucura, não consegue viajar, e Papoula, ao lado, dorme tranquilamente. Ele, arrasado por dentro por não conseguir ir ao teatro, nem ir viajar, e com medo de perder o preenchimento de vazio do amor de domingo, decidi se entupir de remédios para dormir e acordar somente domingo. A decepção nas pessoas é algo está inerente às expectativas de Pablo...a vida para ele era uma eterna decepção, com raras exceções. Por isso Pablo se preocupava em nunca decepcionar ninguém, em sempre ser solicito, verdadeiro, amigo e gostar de alguém que não conhecia. Sempre dava uma primeira chance a qualquer tipo de ser humano, seja ele político, ladrão, empres
ário, comerciante, traficante, vagabundo, gay, sapatão, hétero, machão, bichona, criança, jovem, velho, jornalista, publicitário, doente, feio, bonito. Para ele, toda e qualquer tipo de pessoa tinha algum valor, não importava o que ela tinha ou o que ela representava.Movido a anti-ansiolíticos - ele queria dormir até domingo para se sentir bem e encontrar com Rodrigo, ou com qualquer outra pessoa que preenchesse seu vazio sentimental – Pablo acordava durante várias vezes na madrugada. Às 13h do sábado ligou para Rodrigo, que estava em Paracuru, com ciúmes, achando que ele havia saído na sexta a noite, quando Pablo estava com Papoula. Às 20h Max ligou para Pablo, mas Pablo estava dormindo. Pablo retornou para Rodrigo às 1h do domingo - na madrugada de sábado onde estaria Rodrigo?
– Estou em Paracuru - falou Max sem parar.
– Tô curtindo com Elton, Júnior e outros. Vou amanhã para o que marcamos, mas não vou sozinho.
Pablo havia marcado uma exposição alienígena, um cinema e, de repente, um sushi ou Subway que Max tanto gostava. Mas via que o interesse que Max tinha por Pablo era mínimo, desprezível. Max era um menino vazio de 20 anos, com poucos amigos, morador de bairro de periferia, ate Pablo conhecê-lo. Não trabalhava, não tinha ambição alguma, era melancólico, mudo. Tinha um ar blasé que irritava todos os amigos de Pablo.
Beijos, cinemas, teatros, shows, coquetéis vip, boates, viagens, transas em cachoeiras, patinações no gelo e outras experiências com Pablo fizeram Max ampliar os horizontes de sua felicidade. O ciúme de Pablo com o deslumbre e as vontades obtusas, falsas e traidoras de Max acabaram com a relação. Os dois ficaram sem se falar tempos, até Max ir atrás de Pablo. Mas na época, Pablo já estava com diversos casos amorosos, tentando preencher seu vazio.
Era difícil Pablo não estar gostando de ninguém, sequer pensar em alguém. Apenas queria se encontrar com a única pessoa que tinha algum sentimento inexplicável, algum carinho. Pablo e Max já haviam namorado sério apenas dois meses, mas em pouco tempo tinham vivido muitas coisas juntos, e nessa volta, quando Max o procurava, Pablo não resistia. Pablo já sabia que a relação não teria futuro: Max estava indo para São Paulo, encontrar com alguém que gostava.
Max tinha uma pessoa em Campinas que gostava, um sentimento antigo, de anos, que Pablo sabia que não poderia competir. Ninguém compete com o tempo, mesmo o volta e trás de uma paixão. E Pablo já tinha terminado duas paixões, uma de dois anos e meio, e outra de quatro anos, e já não tinha mais a esperança nem o interesse de ter alguém que realmente ele se apaixonasse para convencer a gostar dele, que era o que praticamente sempre acontecia.
Pablo queria algo diferente. Queria alguém que convencesse ele a gostar. Alguém bonito, interessante, sensível, direto, sincero e que gostasse de surpreender em todos os sentidos – Pablo queria alguém que se apaixonasse por ele e que fosse lindo, trabalhasse, e tivesse um valor muito mais do que comercial, de status e posição social. Poderia ser uma mulher de seus 25 a 40 anos, ou homens de 18 a 30, mas tinha que ser alguém que ajeitasse suas energias, quisesse uma vida inteira de amizade, amor, tesão, delírios e vivências.
Depois de falar às 1h com Max, Pablo não sabia o que fazer. Se sentia muito só, angustiado e abandonado por todos os amigos falsos que decidiu abandonar, por Papoula, por sua família... Estava vendo TV, um documentario sobre os últimos presidentes do Brasil, depois uma série juvenil da TV portuguesa e depois o canal de notícias em espanhol. Não sabia se iria se dopar de remédios para dormir, ou aproveitar que estava amanhecendo o domingo, 7 horas da manhã, para ir para a praia, fazer exercícios, ou para ir trabalhar, e, mais tarde forçar um encontro com Max, ou simplesmente ir para o seu cinema sozinho, mas confiante que essa ânsia por companhia não fazia parte de sua personalidade. Pablo era forte, independente, capaz de reverter situações irreversíveis, mudar seu astral apenas com sua programação neuro-linguística e seguir em frente feliz.
Domingo e segunda
Pablo decidiu ir trabalhar no jornal de sua família, onde era editor de cultura, antes de ir a praia. Sua revolta pelo não pagamento de seus direitos trabalhistas (pela sua própria família), pelo desprezo de todos em relação a sua existência e por tantas outras injustiças era enorme. Seus tios e tias ajudavam amigos, funcionários, menores abandonados, mendigos, mas faziam questão de desprezar o máximo que pudessem a existência de Pablo. Pablo trabalhou das 7h às 13h no jornal, editando matérias de artes plásticas, cinema, teatro, shows, acontecimentos de Fortaleza, cidade onde morava. Se não fosse ele quem fizesse essa função, o terceiro jornal da cidade só colocava matérias de TV e fofocas.
No meio de seu trabalho de domingo de manhã, a prima Papoula liga para Pablo, às 10h, contando as aventuras de sábado a noite, em um casamento. Ela contava que havia bebido de tudo um pouco, capirinha, cerveja, champagne, uísque, tudo como se fosse uma verdadeira vitória olímpica. Pablo o convidou para ir na praia, e ela deu a idéia de tomar uma “cervejinha”, só que Pablo queria fazer exercícios, malhar, refletir, nadar, e não beber. Papoula vendo a concentração do trabalho de Pablo e a falta de entusiasmo e de dinheiro com o convite, decidiu desligar.
Papoula havia dormido depois do casamento em sua antiga casa, que aliás, ainda abrigava muitos dos seus objetos pessoais. Dividia o apartamento com a irmã de Pablo, Vilany, na Praia do Futuro, mas Papoula estava desempregada, e seu flat desalugado, não tinha como pagar as contas com Vilany.
MAPA ASTRAL DE PABLOSol em Touro (Este é o seu Signo de nascimento)
Ele é uma pessoa firme e orgulhosa. Tem um espírito muito realista. Possui encanto, é tolerante, estóico, extremamente persistente. Gosta dos prazeres da vida, gosta das boas coisas. Aprecia as artes.
Pontos fracos: Teimosia, indolência. Dedica-se demasiado às coisas materiais, é exclusivista, guloso e orgulhoso.
Sol na 4ªcasa
Influência da família: do pai e principalmente da mãe. Ele é uma pessoa orgulhosa, tem confiança em si próprio, no seu destino e na sua ambição. Êxito e realização na parte final da vida. Autoridade sobre a família.
204 CON Sol - Mercúrio
Aspecto positivo: Ele é inteligente e sabe o que quer. É um bom organizador. Gosta do movimento, das viagens. Aprecia a literatura.
-139 OPO Sol - Urano
Aspecto negativo: A sua independência e a sua necessidade de liberdade passam em primeiro lugar. Não aceita nem constrangimentos nem barreiras. A sua originalidade é um pouco extravagante.
Lua em Caranguejo
Ele é simpático, compreensivo e sociável. Muito sensível ao ambiente e a tudo o que tem à volta. Gosta da sua casa, dos seus hábitos, do seu conforto e da sua família. Tem tendência para ter uma família numerosa.
Tem imaginação, memória, lirismo. Tendência para o passado, grande ligação com a mãe ou tendência para a vida nómada.
Pontos fracos: Suporta os que lhe estão próximos, ociosidade, inércia. É impressionável e muito sensível. Problemas familiares.
Lua na 6ªcasa
Instabilidade no trabalho e preocupações de saúde. Ele nunca será um dirigente, mas obterá o sucesso quando ocupar o lugar de braço direito de uma pessoa importante. Nos casos mais correntes, será empregado, operário.
Ele gosta do campo, respeita a natureza e gosta de animais.
195 TRI Lua - Marte
Aspecto positivo: Ele é uma pessoa franca, honesta, cheia de vigor e de ambição. Tem uma grande força de vontade e é perseverante no seu trabalho.
É um pouco duro consigo próprio mas muito mais com os outros que não têm, obrigatoriamente, essa mesma força de vontade e essa perseverança.
-206 OPO Lua - Ascendente
Aspecto negativo: Ele não recebeu uma influência muito boa da família. Foi, sem dúvida uma pessoa mal amada pela família. Culpabiliza sobretudo a mãe. É uma pessoa com a susceptibilidade à flor da pele e que se irrita com muita facilidade.

Mercúrio em Touro
É fiel às suas ideias, inalterável, teimoso, persistente, mas muito discreto. Falta-lhe flexibilidade, mas em contrapartida tem profundidade nas ideias. Ideias concretas e sólidas.
Gosta de todos os prazeres que a vida lhe pode dar. Por vezes, é bastante ingénuo.
Pontos fracos: Teimoso, obstinado, espírito limitado. Inteligência lenta a reagir.
Mercúrio na 4ªcasa
Boa educação, é uma pessoa culta. Gosta de literatura, da vida em família e das relações familiares. Tendência para mudanças de residência. Transacções imobiliárias.
-45 QUA Mercúrio - Saturno
Aspecto negativo: Ele tem um carácter fechado. É uma pessoa conservadora, ambiciosa e teimosa. A sua inteligência é lenta e tem dificuldades para se exprimir.
No entanto, é uma pessoa trabalhadora e paciente que conseguirá obter sucesso na vida, embora isso lhe leve algum tempo.
-147 OPO Mercúrio - Urano
Aspecto negativo: Ele gosta da polémica, da crítica e de contrariar tudo. Tem falta de diplomacia e tendência para se dispersar. Nunca consegue ficar no mesmo sítio, gosta de mudanças mesmo se estas o obrigam a recuar na sua vida profissional.
Vénus em Carneiro
Predisposição para o amor à primeira vista. Facilmente inflamável: gosto pela conquista amorosa. Paixões breves, entusiasmo amoroso.
Impulsividade na amizade e por causas que podem não ser justificadas ou que se revelarão não ser aquilo que ao princípio pareciam ser. Embriaguez no amor, chama de fogo: gasta sem contar.
Pontos fracos: Infidelidade, amor à primeira vista, apaixona-se rapidamente e inconsequentemente.
Vénus na 3ªcasa
Ele gosta de tudo o que é bonito, gosta de decoração. Tem uma inteligência brilhante, capacidades artísticas, literatura. Trabalhará provavelmente num comércio que tem a ver com a beleza, com a moda. Numerosas relações interessantes.
41 TRI Vénus - Saturno
Aspecto positivo: Ele tem um grande sentido da realidade e do dever. É uma pessoa poupada, reservada, não se exterioriza. Gosta da verdade e da justiça. No amor, os seus sentimentos são sinceros e profundos. Nunca brinca com os sentimentos.
Claro, que é uma pessoa fiel no amor e amizade. Poderá amar uma pessoa muito mais velha, na qual apreciará a inteligência e o bom senso.
-63 OPO Vénus - Plutão
Aspecto negativo: Paixão amorosa excessiva, destruição, ruptura. Tudo isto lhe torna a vida bastante difícil. A sua vida profissional sofrerá as consequências, porque lhe será impossível assumir as suas responsabilidades com todos estes problemas.
Desgosto sentimental.
Marte em Peixes
Ele é colérico, irritadiço e exaspera-se facilmente. Tem dificuldade para se controlar. A energia e a agressividade são difusas.
Pontos fracos: Os factos da sociedade podem provocar nele grandes iras. Os fundamentalistas religiosos, de qualquer religião, podem provocar-lhe a mesma ira. As suas crises de raiva podem colocá-lo em situações bastante desagradáveis.
Indolência, passividade, anarquia e excesso de flexibilidade.
Marte na 2ªcasa
Ele conduzirá empreendimentos ousados e perigosos. Tomará muitas iniciativas. Lutará para ganhar dinheiro, e ganhará muito. É gastador, o dinheiro entra e logo sai.
Se algum azar acontecer, estará sempre pronto para recomeçar de zero outra vez. Grande força de vontade e entusiasmo.
43 SXT Marte - Ascendente
Aspecto positivo: Vitalidade, força de execução. Ele sabe impôr a sua vontade.
Júpiter em Gémeos
Tem boa educação e fala muito bem. Ele gosta de viajar, escrever, aumentar os seus conhecimentos.
Pontos fracos: Gosta demais de se fazer valer através de um grande discurso ou de belas palavras. Ouve pouco os outros, gosta mais de se ouvir falar.
Júpiter na 4ªcasa
Ele gosta de justiça e acredita nela. É uma pessoa optimista, generosa. O seu êxito profissional é rápido e facilitado pela família. Justamente, a vida familiar é muito importante para ele Gosta do seu conforto, do seu bem estar.
Sabe receber com gosto e sobretudo com prazer. A sua casa está sempre aberta para os amigos.
Saturno em Leão
Ocupará quase sempre um lugar de autoridade. Ele gosta de ter responsabilidades e assume-as. Beneficia de favores de protectores, que reconhecem os seus méritos. Receberá recompensas pelo seu trabalho bem feito.
Pontos fracos: autoridade abusiva, poucos sentimentos no ambiente de trabalho.
Saturno na 7ªcasa
As associações, o casamento, são pouco vantajosos. Casar-se-á tarde e os seus sentimentos serão sinceros e calmos. É uma pessoa perseverante, metódica, o seu esforço é contínuo, o que lhe permite ter sucesso na sua vida profissional.
-47 QUA Saturno - Urano
Aspecto negativo: Ele não suporta a rotina, quer seja no plano profissional, quer seja no afectivo. Lutará para poder guardar a sua independência, a sua liberdade de acção. Por vezes, tem vontade de refazer o mundo inteiro.
41 SXT Saturno - Plutão
Aspecto positivo: Ele é uma pessoa perseverante. Consegue realizar os seus projectos, trabalhando afincadamente.
Urano em Escorpião
Inteligente e subtil. Paixão pela pesquisa, pelo questionamento, pelas investigações. Bastante sensualidade.
Urano na 10ªcasa
Ele deve procurar ter uma profissão independente, sem rotina alguma, que satisfaça a sua necessidade de movimento, de viajar e que, sobretudo, lhe traga alguns riscos. É uma pessoa excêntrica. Viragens grandes e espectaculares do destino.
Neptuno em Sagitário
Gosta de longas viagens, do estrangeiro, da água.
Neptuno na 11ªcasa
A sua amizade é franca e desinteressada. Abusos de confiança por parte de amigos: ilusões a respeito de amigos.
Plutão em Balança
Traz mudanças.
Ascendente em Aquário
Ele gosta de se reunir com pessoas até altas horas da madrugada. Gosta de agradar, de \"borboletear\", fá-lo de bom grado. Interessa-se pela política, é membro de associações que se ocupam de jovens, ou luta pela liberdade.
Casa II em Peixes
Sucesso financeiro fácil, graças à sua inteligência, à sua engenhosidade e a algumas relações. É uma pessoa poupada, sem ser avarenta, porque é generosa.
Casa III em Carneiro
Possui uma inteligência viva. É uma pessoa ambiciosa. Está sempre pronta a tomar iniciativas que precisem de movimento, de novidade.
Casa IV em Touro
Será um bom pai ou boa mãe de família. Gosta de se encontrar em casa na companhia de toda a sua família. Aprecia o conforto, a calma, as refeições simples, mas tão boas! dirigirá o seu património com muita sabedoria.
Casa V em Gémeos
Gosta de agradar: ele pode passar horas na casa de banho a preparar-se para sair, na esperança de encontrar uma mulher encantadora que o possa enfeitiçar. Gosta de manter discussões intermináveis com os amigos.
Casa VI em Caranguejo
Gosta de trabalhar em contacto com o público.
Pontos sensíveis: o estômago.
Casa VII em Leão
Casamento de amor baseado na confiança, na honestidade, na sinceridade.
Casa VIII em Virgem
Pequenas heranças. Velhice feliz e calma. Morte natural.
Casa IX em Balança
Aprecia a justiça, a lealdade, a honestidade. Poderá ser um bom advogado.
Casa X em Escorpião
Prefere profissões que comportem alguns riscos. Tendência para trabalhar na polícia. Gosta de inspeccionar, é uma pessoa muito curiosa por natureza. Gosta de arriscar-se e de lutar para conseguir aquilo que quer.
Casa XI em Sagitário
Gosta principalmente de viagens. As aventuras e as suas relações de amizade são, muitas vezes, de origem estrangeira.
Casa XII em Capricórnio
As decepções são difíceis de digerir. Os desgostos duram sempre algum tempo, talvez tempo demais.
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